Terça-feira, Novembro 17, 2009

Walkabout

Penúltimo dia no Japão. Uma terça feira de sol e eu, cheio de coisas para fazer. Ainda teria de ir ao bairro de Akihabara, procurar "figurines" para um meu irmão. Também teria que ir a outro bairro, Asakusa, procurar a flauta "shakuhachi" (um dos instrumentos mais chatos do mundo) para um outro irmão. E visitar o Edo-Tokyo Museum, imperdível, no bairro de... Já nem me lembro, e estou com preguiça de ir até a papelada verificar - depois eu esdito o post! hehehe

Comecei com o museu, pela manhã. Fica no "bairro do Sumô", ao lado de onde os lutadores treinam. O Edo-Tokyo nos proporciona um passeio pela história de Edo (e posteriormente, Tokyo), do período feudal ao pós-guerra, através de várias maquetes. Visita obrigatória!

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Exterior do museu

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Uma das maquetes: ponte em Edo

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Aqui é a "Meca" do Sumo. Infelizmente, não pude assistir à luta.

Da Meca do Sumo, fui para a Meca dos Otakus, Geeks, Nerds e afins. Akihabara é uma Feira-do-Paraguai grande. Um bairro só de lojas de eletrônicos, mangás, animes, CDs, DVDs, e garotas fantasiadas fazendo propaganda nas ruas. Se eu falasse japonês, eu iria comprar muita bobagem ali. Meu eu-lírico-otaku despertou entre as lojas de mangas, figurines e DVDs.

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Fachada colorida em Akihabara.

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No BK do Brasil eles lançaram essa novidade? Hamburger com 7 carnes. Se eu ficasse mais tempo em Tokyo, iria provar.

Segui para Asakusa quando anoiteceu. E com isso, bati meu recorde de caminhadas. Pela primeira vez, eu "cansei de andar" e tive que sentar no metrô. No antigo bairro de Asakusa (onde tinha o templo), eu comprei as últimas lembranças para levar pro Brasil. A flauta de bambu (shakuhachi), meu maior objetivo ali, não foi encontrada.

Eu adorava a reação dos japoneses quando eu mencionava a palavra shakuhachi. Eles sempre faziam uma careta no estilo "WTF?" e ficavam falando "shakuhachiiiiiiiiiii??? No... no.... no shakuhachi!". Trata-se de uma flauta de bambu, tocada por alguns monges-pedintes que usam uma máscara que só deiza a boca aparecendo. Segundo eles, uma forma de neutralizar o ego. O som é desafinado e monótono. É um instrumento raro. Como encontrá-lo foi bem mais difícil do que eu imaginei, fiz apelo ao bom e velho Google. Achei uma loja perto de Shinjuku que vendia Shakuhachi. O mais barato era US$ 250. Agora eu me pergunto... Porque um monge que tem uma flauta de 250 dólares vai pedir esmola?

Voltei pra casa e voltei a sair (viu como eu andei?), dessa vez fui com o Ricardo para a noite iluminada de Shinjuku. A vida noturna ali é bem agitada, com vários bares, cinemas, boites e clubes safados, com shows de strip e pole dance. Na porta desses clubes, sempre ha um leão de chácara, geralmente afro ou latino que, ao ver estrangeiros "perdidos" pelas ruas, insistem para que entremos conferir as beldades... O método japonês de dizer NÃO deve ser empregado. Basta não responder e nem olhar que eles desistem de você. Em um dos bares, eu cheguei até a ficar assustado, porque enquanto eu estava tirando fotos dos arredores, me vi cercado por um pessoal de terno mal encarado que parecia saído de algum video game da Yakuza. Queriam saber o que eu estava procurando ali...

Só foto uai... -_-

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Shinjuku

Segunda-feira, Novembro 09, 2009

Objetivos gastronômicos.

Mais um dia de chuva forte em Tokyo. Parecia tempestade de fim de ano em Brasília, só que com mais vento. E, como consequencia, um dia frio. Mas era o meu último dia para ir ao Bazar Oriental e comprar as "lembranças de viagem" aguardadas pela familia. Acho que acabei comprando mais presentes pros outros que pra mim. Tinha planejado ir a Akihabara também, mas, após sair do Bazar e chegar em casa com a calça encharcada e colada na minha perna eu desisti. Essas compras, fui fazer à tarde. No almoço eu tinha um programa especial.

Gastronomicamente falando, fui ao Japão com dois objetivos. O primeiro era comer baleia, já que a caça só é permitida lá e na Islândia, até onde eu sei. O segundo era comer a carne de Kobe, a mais cara do mundo, se eu achasse ela barata; e as minhas esperanças eram mínimas. O restaurante de baleia - olha que sorte! - ficava a duas ruas da casa onde eu estava. Fui almoçar lá. Entre as três opções no menu do almoço, optei pela baleia grelhada. Sashimi de baleia eu não iria arriscar. É mamífero cru; não pode ser muito bom. Como eu esperava, a carne é bem dura e se assemelha às demais carnes de caça, com um gosto forte que lembra o carneiro.

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O quadro no restaurante mostra como eles caçam a baleia...

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...E ela vem pro nosso prato. Simples assim!

(E eu não quero nenhum ambientalista reclamando; primeiro porque estava bom, segundo porque ninguém vai me convencer de que é menos cruel comer alface. Tenho certeza de que o pé de alface está bem mais feliz ali, plantado na terrinha dele, úmida e cheia de minhocas, do que estirado no meu prato aguardando ser devorado com azeite)

Já a noite, convidei Tio Piras e Tia Liana para um jantar no Gonpachi. Com uma fachada que lembra os antigos castelos japoneses e decoração interna rústica, o tradicional Gonpachi já recebeu Bill Clinton, George Bush e, talvez, Saddam Hussein. O lugar foi fonte de inspiração para o restaurante do primeiro Kill Bill, onde ocorre o massacre. A comida é muito boa, variada e menos cara do que eu esperava. E foi ali que, inesperadamente, eu realizei meu segundo objetivo: provar um "Kobe Beef". Por cerca de 30 dólares, eu comprava um espeto que vinha com 2 pedaços de carne e uns legumes grelhados. Foi o mais barato que eu achei e resolvi cometer o pecado. Quem gosta de carne, como eu, vai entender. Realmente é uma carne diferenciada, misturada com gordura, com uma textura extremamente macia que se desfaz na boca. Quando acaba, dá até uma certa tristeza, que aumenta quando chega a conta...

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Kobe!! =D

Voltei pra casa e fui a uma loja chamada Dom Quixote. Segundo a Liana, é as "Lojas Americanas" do Japão. Ali você encontra de tudo. Comida, relógios genéricos, relógios de marca caríssimos, artigos de pesca, perfumes, sex shop, objetos irreverentes... Fui lá pra comprar uma mala, pra levar os excessos. Quase comprei uma cueca-de-turista com a estação de metrô local. Entre as bizarrices da loja, a que mais me chamou à atenção foi a almofada de bunda. Como eu jamais compraria a cafonice, a não ser que fosse dono de Motel, me contentei com uma foto sem vergonha.

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Apalpando uma bundinha japonesa...

Sábado, Novembro 07, 2009

Um pouco sobre Ginza

Depois do sábado em Hakone, domingo, agora com a chuva nos perseguindo em Tokyo, fomos de carro até Ginza.

Ginza é provavelmente o "bairro" mais famoso de Tokyo. Pelo menos era o único que eu conhecia antes de chegar lá. Ali estão concentradas as sedes das grandes empresas e as lojas caras. A loja da Apple, da Sony e de várias grifes européias estão ali. Um paraíso para quem gosta de compras vultosas. Como não estávamos lá para isso, apenas passeamos pela rua principal, que estava fechada para carros.

Na verdade, nem ia escrever sobre o domingo cinzento em Ginza, mas achei injusto deixar o famoso bairro de lado. Enquanto eu perambulava por lá...

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Consegui tirar a foto de uma das estranhas placas japonesas. "Ru Ponto Ponto Ponto Cinco"

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Indo pra Ginza, você passa em frente aos jardins do Palácio Imperial.

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Prédio com a marca da cerveja Sapporo. As placas brancas atrás são iluminadas a noite.

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A rua principal, onde você pode desabastecer a conta bancária.

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O famoso relógio.

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Um japonês foi ao Brasil e ficou intrigado pois aqui todos se tratavam por "Doutor". Impressionado com o número de detentores do título acadêmico nas terras tupiniquins, resolveu dar esse nome ao seu Café. Pelo menos foi uma história assim que eu ouvi.

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Quando anoiteceu, fui ao bairro Hi-Tech de Akihabara. Quase todas as lojas estavam fechando e acabei não me demorando muito por lá. Tive de voltar na terça. Assim, o assunto foi empurrado para outro post.

Quarta-feira, Novembro 04, 2009

...E eu não vi o Monte Fuji.

Era sexta-feira quando voltei pra Tokyo. Eu tinha duas opções de viagens para o fim de semana. Poderia ir a Nikko, para ver um templo importante, que deu origem à história dos três macacos - um que não vê, um que não fala e um que não ouve; ou ir a Hakone, região vulcânica com vários lagos onde fica o Monte Fuji. Como a previsão do tempo era de sol, optei por Hakone no sábado. Caso fosse no domingo, teria de viajar sozinho.

O dia amanheceu amarelo. Mas, confiantes na previsão do tempo, fomos para as montanhas assim mesmo. O primeiro trem, que nós perdemos na ida mas pegamos na volta tem um vagão com vista panorâmica atrás, o que atrai muitos casais em lua de mel. Por conta disso, o trem é conhecido como "Romance Car". Tirando o vagão especial, é um trem comum...

Conforme íamos nos aproximando de Hakone, o tempo ia fechando. Ao parar na estação da cidade, começou uma chuva fina, no melhor estilo garoa paulista. Ali, pegamos outro trem, que nos levou montanha acima até um teleférico. O teleférico, por sua vez, nos levou aos vulcões. A mudança de paisagem é abrupta. Você está subindo uma montanha cheia de árvores e, quando chega no cume, vê que do outro lado há uma excavação imensa de um provável campo de extração de enxofre. A paisagem fica amarela e a vegetação escura, queimada pelo calor das rochas vulcânicas.

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Almoçamos ali mesmo, em uma das lojas/restaurantres que ficam em volta do teleférico "mais usado do mundo" segundo o Guiness. Pela primeira vez, senti frio no Japão. Por via das dúvidas, compramos um guarda chuva cujo uso era quase impossível devido ao vento na montanha. Durante o almoço, notei que a paisagem lá fora estava diferente. Ao entrar no restaurante, o tempo nublado até dava um ar bonito à região vulcânica, combinando com a paisagem. Desembaçando a janela ao meu lado, vi que o tempo nublado havia simplesmente caído sobre nós e TUDO estava envolto por uma neblina espessa.

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Antes de a neblina descer. Depois... bom... depois estava branco!

Terminado o almoço, subimos a montanha até os poços onde os japoneses cozinham ovos numa lama fervente. São os famosos "ovos negros" de Hakone. Têm a casca preta, mas gosto de ovo cozido mesmo. Esses não eram vendidos por unidade mas em caixas de 6 e, por isso, acabei não comendo. Como a água e a lama são de origem vulcânica, o cheiro de enxofre é fortíssimo e, pra quem conhece, lembra a chegada no Rio de Janeiro, na saída do aeroporto...

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Desses poços azuis saem os ovos negros.

Esses ovos são tão famosos que eles até vendem um "ovo negro de pelúcia" em uma das lojas. Turista bobo que eu sou, quase comprei a esquisitice. Na loja que vendia o ovo de pelúcia também vendia o ovo (comestível) por unidade. Não tirei foto e nem voltei na loja porque era longe de onde eu estava e o vento gelado com a chuva não me davam muita vontade de me desviar do meu caminho...

Após a montanha que fazia ovos negros e cheirava a enxofre, era hora de descer de teleférico para pegar o "Navio Pirata", as embarcações de aparência inglesa que passeiam pelo lago que, eu acho, era o maior da região. No meio do lago, o vento era mais forte ainda. O passeio foi bonito, apesar do tempo. Porém, por mais que eu goste de dias nublados e neblina, nesse dia em especial eu queria mais era céu azul. As nuvens, assim como a poluição suspensa em Tokyo, esconderam o Monte Fuji. Ou seja, fui ao Japão e não vi o ícone mais famoso de lá. Agora vou ter que voltar.

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AHOY!

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O Monti fuji está aí. Aí, atrás daquela nuvem. Viu?

Sábado, Outubro 31, 2009

Correria para Nara

Depois de uma noite tranquila no Ryokan, um dia não muito tranquilo me aguardava. A viagem pra Nara foi marcada por várias correrias.

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NÄRA deerkrossing vith Brüno!

Cheguei à estação de Kyoto, comprei logo meu bilhete de trem pra Nara e fui almoçar num café com o estranho nome de SUVACO. Comida murrinhenta. Entrei no terminal e estava esperando meu vagão quando... Êpa! Cadê meus óculos escuros?? Sem óculos, sem fotos em Nara, já q eu não olho pro sol. Pronto! Tive que sair correndo pela estação por que o trem chegaria em 5 minutos. Primeiro parei no Suvaco. A moça da cantina se empenhou em procurar o óculos. Como eu sei que os japoneses não têm pressa pra te ajudar e eu estava atrasado, deixei a mulher me ajudando e fui para a loja do Osamu Tezuka, onde eu estivera tempos antes, na outra extremidade da estação. Lá estavam os óculos. Ainda bem que os japoneses guardam coisas alheias; eles não conhecem o ditado "achado não é roubado". Voltei pro portão e lá estava o trem. No minuto seguinte, eu lá dentro quase desmaiado de tanto correr, ele partiu pra Nara.

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Monge pedinte

Antiga capital do Japão, Nara é uma pequena cidade que tem por mascote um monge com galhos de veado na cabeça. E os veados andam soltos por ali. Há um número impressionante deles andando pelos parques e pelas ruas próximas.

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Esses veados só comem uma rosca que é vendida por 160 Y. Frescos!

Em Nara, visitei os pontos turísticos tradicionais. O Museu Nacional, alguns templos (há muitos; nem guardei o nome de todos) dentre os quais oToudai-ji, que abriga a Estátua do Grande Buda. É uma construção que impõe respeito. Tudo muito grande; tanto o portão de entrada quanto o templo em si. O último templo que visitei era rodeado de florestas e lanternas de pedra muito antigas. Acabei me perdendo na tal floresta e fui sair em um bairro residencial do lado oposto à civilização. Só uma ou outra velhinha na rua me olhando com um olhar curioso. Um custo para achar um taxi para me levar de volta à estação onde se deu a correria número 2.

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Toudai-Ji; só o portão de entrada...

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...e o templo em si.

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Floresta de Nara onde eu me perdi.

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Bairro residencial onde fui parar.

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Se você procurar bem, encontra o caminho. Essa placa estava no muro de uma casa.

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Gosto muito dos detalhes nos tetos. Esse era o teto de uma residência.

Seria simpático voltar pra Tokyo com umas lembranças para os organizadores da viagem. Assim, comprei algo tipicamente japonês: um biscoito fino de chá verde com chocolate branco, envolto naquelas embalagens tradicionais prontas pra serem oferecidas como presente. Demorei a achar a loja, demorei a comprar... Fui atrás de outro "Papa" na estação (Bento) para o jantar e corri para não perder o Shinkansen. Tudo foi bem até chegar a Tokyo. O trem que eu devia pegar pra ir pra casa parou em uma estação e eu tive que trocar de trem. Acho que foi nesse momento que a sacola com os biscoitos se separou de mim. Foi passear em Tokyo. Peguei o outro trem não muito feliz da vida e voltei pra casa.

Nada de biscoitos à noite!

Sexta-feira, Outubro 30, 2009

No Ryokan

A última noite em Kyoto merece um post apenas para ela. Após o Festival, fui para o "bairro" de Gion, na parte antiga da cidade, onde ficam as geiko e maiko (popularmente conhecidas como gueixas). É uma profissão em declínio devido à complexidade. Além de terem que tocar instrumentos tradicionais, essas mulheres devem ainda falar o dialeto de Kyoto, e serem versáteis em diversos assuntos. Ouvi dizer que há apenas umas 30 ou 40 "gueixas" em atividade hoje.

Em Gion, fiquei em um Ryokan, uma pousada tradicional japonesa que tenta preservar os costumes da época do Japão feudal. A idéia é "voltar ao passado". Chegando ao estabelecimento, você imediatamente tem de tirar os sapatos e colocar chinelos para não danificar o tatame que cobre todo o chão. No quarto, praticamente não há móveis, exceto algumas cadeiras e a mesa de chá. O teto, feito sob medida para os japoneses daquela época é bem baixo para os padrões ocidentais. Dentro do armário, você pode vestir o "yukata", roupa tradicional.

Cheguei no quarto e, de repente, entra uma senhora de kimono para perguntar que hora eu queria a janta e a cama. No Ryokan, não sei se é costume samurai, eles entram no seu quarto sem bater. Foi assim com a senhora das boas vindas, a senhora da comida e o rapaz que veio convidar para a cerimônia do chá. A janta japonesa é bem servida e havia vários pratos diferentes, com coisas que eu nem imagino o que eram. Reservei um "banho típico" pras 23h e após o jantar, desci até a casa de chá para a cerimônia.

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Quarto do Ryokan, antes da invasão.

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Jantar servido!

Terminada a cerimônia do chá às 21h, resolvi sair pela cidade e ir até a rua chamada "Ponto Cho". A rua é paralela ao rio que atravessa a cidade. Por ser extremamente estreita, não há tráfego de veículos. É uma rua muito tradicional e antiga no Gion e, com alguma sorte, dá pra ver alguma geiko ou maiko caminhando por lá. É uma espécie que quartel-general delas... A noite de Kyoto é bem bucólica, com casais na beira do rio contemplando a escuridão. Andar por Ponto Cho é, de certa forma, uma volta no tempo. Tudo ali é muito antigo e em toda porta há algum amuleto contra os maus espíritos. Os japoneses parecem ser mais supersticiosos que religiosos. Parei para um sake em um bar antigo da rua que oferecia enorme variedade da bebida.

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Muito sake!!!

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...Mas o cardápio é em japonês!!

Apontei para 2 preços e o garçom deu a entender que eram uma boa pedida. Veio a surpresa; um em uma garrafa azul e outra em uma garrafa de vidro escuro. O primeiro com gosto de flor. O segundo com gosto de sake mesmo.

Voltei a andar na rua e enquanto eu olhava uma vitrine... Passou por mim uma gueixa! Estava acompanhada por um casal e parecia indiferente ao mundo; só olhava pra frente. Fui lá pedir uma foto e o casal fez uma careta, o que em japonês quer dizer "NÃO MESMO!!!!". A gueixa me olhou de rabo de olho e seguiu o caminho. Ou seja, era pra aparecer uma gueixa aqui! Já eram quase 23h e eu voltei pro Ryokan, para relaxar em uma banheira de água quente. No quarto, a cama pronta me aguardava no chão. Dia seguinte, acordaria cedo para ir a Nara, cidade dos veadinhos (brasileiro TEM que pensar besteira...)

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Ponto Cho

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Lanternas na frente dos bares em Kyoto

Terça-feira, Outubro 27, 2009

Matsuri, o Segundo.

Vou confessar. Não acordei lá muito feliz da vida por ter de deixar o confortável quarto do New Miyako. Às 6h da manhã lá estava eu perambulando pela cidade atrás de um café da manhã digno. Duas horas depois, deveria fazer check out e me juntar ao grupo da excursão da manhã.

Na pauta, mais um templo e dois castelos. Fomos primeiro ao Castelo Nijo, que significa "Castelo na Segunda Rua". Na verdade, não era um castelo propriamente dito, mas a enorme casa de um shogun bem remunerado. Esse foi o meu preferido em Kyoto, o número 1 da lista. Os "telhados" em tronco de cedro com detalhes dourados e madeira trabalhada são lindos e dão o "peso" necessário ao lugar. No interior, pinturas de paisagens ou animais ferozes de acordo com a função do quarto. E no chão, umas placas de metal faziam barulho sempre que alguém passava, para avisar ao shogun a presença de um possível assassino.

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Detalhes externos do teto. Nada de fotografar lá dentro.

O segundo templo, foi o famoso Kinkaku-ji, o "Pavilhão Dourado". É o templo principal de um complexo maior, construído na beira de um lago em um jardim original da época dos samurais. Com o segundo e terceiro andar banhados a ouro, é uma construção bem impressionante, mesmo sem poder entrar lá dentro pra ver como é. Foi o segundo que eu mais gostei, desconsiderando o número absurdo de turistas no local. Tirar boas fotos não foi fácil.

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Observar de longe...

A excursão seguiu para o Palácio Imperial, que na verdade foi Palácio Imperial propriamente dito por pouco tempo; era apenas uma residência temporária do Imperador. O Palácio era bonito sim, mas se eu fosse o Imperador, teria confiscado o Castelo Nijo pra mim. 5o lugar no Top6.

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Diversas vistas da casa do Imperial.

De lá seguimos para o Kyoto Handicraft Centre, o the end e local de almoço da excursão. E um paraíso para comprar todo tipo de bugingangas orientas, onde o meu dinheiro migrou da minha carteira para uma máquina registradora.

Deixei as compras e as bagagens lá e fui em direção à Heian-ji (a primeira que visitei, lembram?)
para ver outro festival, o Jidai Matsuri - Festival das Idades, um dos maiores de Kyoto. Uma parada sai do Palácio Imperial em direção à Heian-ji, representando as diversas fases da história de Kyoto. Diferentemente do Kawagoe Matsuri, aqui você fica parado vendo o desfile passar. Parece desfile militar só que com samurais representando os vários clãs. Fiquei perto do templo por 1h30 e depois fui caminhando no sentido contrário ao desfile até começar a escurecer e esfriar; momento em que peguei o caminho de volta para o Handicraft Centre. Além das compras e da minha bagagem, me esperava o Ryokan...

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Cenas do Jidai Matsuri: "Samurais Souza Paiol", "Samurai Corno", "Samurai Windows 3.1" e "Samurai Robin Hood".

Segunda-feira, Outubro 26, 2009

Trem bala para Kyoto

Minha primeira aventura "solo" pela Terra do Sol Nascente. Peguei o tal "Trem Bala", aqui chamado Shinkansen para Kyoto. Impressiona o tamanho do trem, comprido por fora e largo por dentro. Com cadeiras espaçosas, confortáveis... Infinitamente melhor pra viajar que os aviões atuais, em todos os aspectos.

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Shinkansen IN/OUT

Assim, a viagem pra Kyoto foi bem tranquila. Almocei, no trem mesmo, um "Bento". Bento são pratos prontos que você compra em todo lugar no Japão. É a nossa marmita, só que mais arrumadinha. Ou seja, o Papa Bento, na verdade é o Papa Marmita. Meu Deus! Almocei o Papa!!!

Em Kyoto, fiquei no hotel New Miyako. Ficar sozinho em um quarto de Hotel é maravilhoso. É o supra sumo da individualidade o apogeu do seu momento espaçoso. Você tem 2 camas de casal pra você. pode dormir numa montanha de travesseiros, usar 2 cobertores, ver TV a noite toda, tomar banho e usar todas as toalhas e andar no quarto com uma cueca na cabeça, embora eu nunca tenha feito isso. Ninguém vai te encher o saco. Infelizmente, cheguei no Hotel 12h40, com uma excursão programada pra 13h30 e o check in só poderia ser feito a partir das 14h. Não pude, ainda, saborear meu momentum de tranquilidade no hotel.

Uma excursão me levou a três templos: Heian-ji, Sanjyusangen-do e Kyomizu-dera. O Heian-ji, primeiro deles me impressionou pelas cores. Primeiro templo verde/vermelho e branco que eu vi na vida. Não é uma construção muito chamativa. Tem, na parte de trás, um jardim muito bonito e uma bela passagem sobre o maior dos lagos. Em um lago menor, cheio de lótus, carpas e tartarugas, há uma passagem de pedra que segundo a lenda é a coluna de um dragão que te leva até o céu se você subir nele. Mas antes de subir, a pessoa deve se inclinar em sinal de respeito. Para tanto, o paisagista entortou um pin heiro bem na entrada da passagem, o que obriga todos a se inclinarem. Tudo é bem planejado. Na passagem, você vê o reflexo do céu no lago: é o dragão te levando nas nuvens... Foi o 4o templo mais interessante dentre os 6 que eu vi em Kyoto.

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Entrada do Heian-ji

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A passagem sobre o lago.

O Sanjyusangen-do tinha como ponto de interesse as 1000 estátuas de Buda, dispostas ao lando de uma grande estátua da Kanon, a deusa dos mil braços. Acendi um incenso para a Deusa, com quem simpatizei. As 1000 estátuas impressionam mas, se você viu uma, as outras 999 não oferecem lá muita diferença. O interessante é ver o conjunto. Como fotos não são permitidas, eu emburrei com o templo e ele, apesar da overdose de Budas, acabou indo pro final do meu top 6.

O caminho para o Kyomizu-dera foi muito bonito. Uma subida por uma rua antiga e estreita da cidade levava a várias escadarias que conectavam as partes do grande "templo das águas" construido no flanco de uma montanha. Número 3 da minha lista.

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O Kyomizu-dera. No flanco da montanha. Não falei??

O templo estava lotado de turistas e por isso, o grupo se dispersou. A última vez que eu vi a guia, ela falava sobre umas "pedras do amor". Uma lenda local que mandava você caminhar de uma pedra a outra de olhos fechados para atrair o amor da sua vida. Ou algo assim. Antes de ela terminar eu já caminhava na direção oposta, para poder ver todo o templo. Consegui ver a fonte da juventude e beber da sua água, tirar várias fotos, ver as tais pedras do amor e correr como um louco para não perder o ônibus (primeira corrida da viagem). Voltei para o hotel para me esparramar pelo meu quartinho mais ou menos!

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Tio Piras, chefe do HQ em Tokyo havia me dito para ir para o outro lado da estação, onde eu encontraria a meca dos restaurantes de Kyoto. Esse local foi a coisa mais difícil de achar de toda a viagem e, das 18h40 às 20h30 eu perambulava pela estação da cidade, em busca do "prédio de pé direito alto, perto de uma loja de departamentos, com escadas rolantes que te levam 11 andares acima". Enfim achei o local, por uma entrada fora da estação. É uma das maiores construções de aço e vidro do Japão, com um "vão" impressionante. Da enorme variedade de restaurantes do local (2 andares inteiros de cada lado do edifício, mais alguns no subsolo) escolhi comer okonomiyaki, a "crepe" japonesa, que você frita no centro da mesa com os ingredientes que escolher.

Uma das coisas que mais gostei de fazer aqui é me perder intencionalmente pelas ruelas escuras da cidade. Lugares que em qualquer outro país do mundo, nenhum cidadão em sã consciência frequentaria. Becos e ruelas escuras em Nova York, Rio ou Vancouver costumam ser no minimo sujos e mal frequentados. Aqui são locais charmosos. Você sempre vê uma eventual velhinha passando de bicicleta com as suas verduras ou uma adolescente correndo ouvindo MP3. Dos dois lados dessas ruas, que em geral não têm transito de carros, encontram-se bares e restaurantes tradicionais japoneses, com peixes secos pendurados na entrada e NENHUM cardápio em inglês. Você aponta pro preço e espera a surpresas. Foi em um bar desses que terminei minha primeira noite em Kyoto, atraído pelo letreiro "beers from around the world". Havia cervejas da Jamaica, de Trinidad e Tobago, do México... E nenhuma brasileira!!! Estamos mal na fita! =/

Acabei tomando sakê mesmo.

Domingo, Outubro 25, 2009

O Ditador e o Ninja

Resolvi não falar ainda das viagens para além Tokyo. Antes do "prato principal", um post com umas curiosidades daqui...

Andando pelas ruas menos populares daqui e de qualquer outro canto do mundo é que você encontra as coisas mais bizarras. Essa é a minha teoria. Perdido do bairro de... Shinjuku (eu acho; estava perdido) me deparei com essa enigmática placa na rua.

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Primeiro, acreditei ter encontrado o designer capilar de Kim Jong Il. Um pouco mais adiante, vi que se tratava de uma loja de perfumes e cosméticos. Numa TV na vitrine, o sujeito da placa bradava algo em japonês sobre seus produtos, num programa estilo POLISHOP. Dentro da loja, um altar com moedas e velas homenageava o ser topetudoque figurava como uma estátua de cera extravagante na pequena construção. E finalmente, vi sair dos fundos da loja, o abençoado vendedor sorridente. Não quis entrar na loja, com medo de o sujeito qurer me vender algum gel mágico para o cabelo. Se eu não ficasse satisfeito, ele devolveria o meu dinheiro.

A noite, fomos ao restaurante NINJA no bairro de Akasaka.

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Nesse restaurante extremamente pirotécnico é servida uma comida japonesa mais moderna e sofisticada. Entramos em um quarto escuro e uma parede se abre. A passagem leva ao esconderijo secreto dos ninjas. Os garçons são todos vestidos a caráter e alguns pratos são introduzidos com todo um show de arte ninja, como o "escargot explosivo" e a sopa fervida na pedra vulcânica quente. Antes da sobremesa, um Mestre Ninja vem até a nossa mesa fazer um show de mágica. Ainda estou me perguntando como ele transformou um jogo de cartas na MINHA mão em um bloco de acrílico...

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Sushi Ninja!

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Sala Ninja!

Proximamente: Trem bala pra Kyoto

Terça-feira, Outubro 20, 2009

A V I S O

Amanhã vou fazer um quase road-trip (railway trip) para Kyoto e Nara. Vou ficar 3 dias perambulando por lá, para ver outro festival e dormir numa pousada tradicional e ver um monte de templos. E de montes. Ou seja, nada de Internet até o fim de semana (e eu já estou com história atrasada; tenho q contar do NINJA)...

Enfim... Acho que é isso... Até breve, qdo esse post será apagado.

Abraços/Beijos